Profissional T-shaped no Brasil
Domínio vertical + amplitude horizontal: por que isso virou diferencial competitivo.
Por anos, o mercado brasileiro pediu especialista. "Foca em uma coisa só", "vira referência num nicho", "não dilui sua marca". E quem ouviu, ganhou recall — mas perdeu adaptabilidade.
O profissional T-shaped é diferente. Tem um eixo vertical bem fincado (uma área de profundidade real), e um eixo horizontal de amplitude (várias áreas adjacentes que ele entende o suficiente pra conversar).
No meu caso, o eixo vertical é healthtech técnico — banco, BI, integração, produto. O horizontal é tudo que toca isso pelos lados: marketing, comunicação, UX, escuta de usuário, construção de pitch.
O que eu fui percebendo na prática: empresa que está em crescimento valoriza muito mais o T do que o I. Porque quando o produto cresce, os problemas deixam de ser de uma área só. Você precisa de gente que conecta as áreas, não que defende território.
O recrutador ainda às vezes pergunta "mas o que exatamente você faz?". A resposta honesta é: dependeu da semana. E é justamente esse "dependeu da semana" que me deixa cara pra problemas que ninguém mais quer pegar — porque cruzam fronteira de área.
Se você está começando agora, fica com o conselho: foca primeiro no vertical, até ter profundidade real. Só depois abre o horizontal. T sem haste vira só uma linha — interessante de longe, sem chão pra pisar.
