UX para 60+: além da fonte grande
Lições de campo construindo um app pensado pra uma geração que aprendeu na marra. Spoiler: a fonte é só o começo.
Antes de mexer no Figma, eu sentei com a minha avó. 70+ anos, smartphone Android, óculos errados, mão tremendo um pouco.
Pedi pra ela abrir o WhatsApp e procurar uma mensagem antiga. Cronometrei. Quatro minutos. Quatro. Pra uma tarefa que eu faço em 3 segundos.
Ali eu entendi: UX pra 60+ não é sobre acessibilidade técnica — é sobre respeito ao tempo da pessoa. Quando você tem 70 anos, cada toque na tela errado é cansaço. Cada confusão é vergonha. Cada erro é "ah, eu sou burra mesmo".
Construindo o VitaFit Sênior, eu fui descobrindo que a fonte grande é o mínimo. O que realmente faz diferença é:
- Botão de voltar sempre visível, sempre no mesmo lugar
- Confirmação dupla antes de qualquer ação importante
- Linguagem direta, sem jargão ("Salvar treino" e não "Submit workout")
- Espaço entre elementos que dá pra acertar com o dedo, não com o pixel
- Cores que comunicam estado sem depender de cor (cego pra cor existe, e bastante)
O melhor produto pra 60+ é aquele que não faz a pessoa se sentir 60+. É aquele que cabe na mão, na vista, no tempo, e principalmente no orgulho dela.
